há um bom tempo atrás, meu irmão me deu de presente um livro chamado “chame o chef!“.
pois bem, li boa parte dele até o livro ser surrupiado pelo meu pai - que é apaixonado pela arte da gastronomia e já teve um restaurante. meu pai me devolveu o livro há poucos dias, retomei a leitura dos contos que faltavam e um deles me chamou muito a atenção:
“a glorificação dos chefs famosos criou a impressão de que meus colegas e os cozinheiros que trabalham para nós passam a vida fazendo palhaçadas na cozinha, depois saem para a noite, fazendo a festa na cidade e se divertindo até o amanhecer.
claro que há momentos como esses para qualquer chef ou cozinheiro, mas em geral nosso trabalho é mais sério e pesado do que a maioria das pessoas pensa. isso é verdade especialmente no caso de estudantes de culinária ambiciosos e que podem muito bem ser comparadas àquelas de atletas olímpicos e fundistas. eles podem sair juntos para relaxar depois do trabalho, mas em geral seu objetivo exije disposição mental e física e uma devoção cega a seu trabalho.
sem essa noção de objetivo, o mais provável é que eles não suportem a pressão, abandonando esse ramo ou permitindo que ele os destrua.
já vi gente se arrebentar das formas mais variadas. certa vez vi um cozinheiro tão exausto e distraído que colocou a mão em um moedor de carne e não a retirou dali antes que quatro dedos tivessem sido destruídos. eu vi bons cozinheiros se entregarem a comportamentos autodestrutivos, ficando sem um tostão ou usand heroína.
é sempre a mesma coisa: a pressão se acumula lentamente, algumas vezes ao longo de vários anos, até que eles simplesmente não conseguem mais suportar. eles dizem “que se dane” e fazem algo drástico e idiota.
profissionais da cozinha são suscetíveis a colapsos porque ninguém se importa com seus problemas. no final das contas, você está sempre sozinho. quando você erra tudo, ninguém quer saber o motivo; eles querem fazer você em picadinho e deixá-o lá para recolher os pedaços.
(…)
sabe aquela velha expressão: “não importa se você perde ou ganha, o que importa é competir”? ela definitivamente não foi cunhada por um chef. porque para um chef só o que importa é se você dá conta do recado ou não. se você fracassa, ninguém se importa com quanto você se esforçou.” - marcus samuelsson.
não sou chef e apesar de adorar fazer tortas e doces, é só um hobbie - quase esquecido nos últimos anos - que não levo tanto a sério. mas o que me chama a atenção nessa história é que é exatamente o mesmo quando você trabalha com ilustração, não interessa para o cliente quantas dificuldades você possa estar passando, você tem que executar o trabalho. e tem certos momentos que deixam à beira da loucura, querendo jogar tudo para o alto e fazer algo que não exija tanta dedicação, embora nada nesse mundo funcione direito sem isso.
o que estou aprendendo (e pela maneira mais difícil, devo dizer) é que você tem que extravazar o estresse, tem que aprender a lidar com a pressão. senão uma hora chega o ponto em que você simplesmente não consegue fazer mais nada, burnout! e fica difícil não adquirir comportamentos autodestrutivos quando você chega nesse ponto.
dedique-se sim, e muito! mas quando você sentir que as coisas estão te sufocando, que você não dá conta mais de nada, pare, respire e avalie seu tempo. faça planejamentos para não cair nessa armadilha - em que mesmo trabalhos que você faria rapidamente e bem parecem tarefas excruciantes.
voltando ao hobby de fim de semana:




but she expressed herself in many different ways until she lost control again
and walked upon the edge of no escape and laughed
i’ve lost control