
Gui postou isso no twitter há alguns dias:
“Dicas de como irritar um artista:
1 - diga a ele como ele nasceu com um dom e talento para a arte, como se fosse uma luz vinda do céu que desse o dito talento e dom, e não as noites viradas estudando...”
É patético o quanto isso é comum. Até minha mãe, que sabe que eu desenho todos os dias (e não estou contando meu trabalho como ilustradora, e sim os desenhos que faço fora disso), fala isso. Boa parte das pessoas têm uma mentalidade de que desenho é dom divino, de que não interessa — que fulano nasceu para aquilo e que nunca conseguirão ser bons artistas como ele porque não nasceram com talento.
Bullshit, I say.
Já perdi a conta de pessoas que não desenhavam e com dedicação se tornaram excelentes artistas. E se você é um dos que desenham desde que se entende por gente e ainda assim continua treinando e estudando, acaba tendo que ver as pessoas jogando seu esforço de anos por água abaixo.
“2 - diga ao artista como este software que ele usa é maravilhoso e faz praticamente todo o trabalho por ele.”
Quando estou conversando com desenhistas/designers iniciantes eu costumo ouvir isso sobre o Painter, haha. O programa parece ter essa aura. Muitas pessoas pensam que fulano é foda porque, uóóóu, ele usa o painter, cara! Acho engraçado e dou risada de quando isso acontece. Mas gente, não interessa a ferramenta, o que importa é o que você faz com ela. É até triste precisar de falar isso.
Já num meio não-artístico é comum ouvir isso de pessoas que estão acostumadas com o conceito de desenhos e pinturas apenas em papéis e telas. Eles olham para o Photoshop e pensam que o programa faz tudo.. O que não diminui a vontade de mandar sua tia catar coquinho quando ela vê seu portifólio e fala, “ah, esse Photoshop é bom mesmo, hein? Faz desenhos lindos!“.
Aham, titia.
E as pessoas falam tanto de “dom” e “talento” que esquecem do principal: dedicação.
Determinação é algo complicado. Nem todo mundo tem aquela personalidade mágica e animadora que permite que a pessoa faça 1001 coisas no dia e ainda vá dormir animado, mas a questão é que, para ser melhor, você TEM que ser dedicado.
Se é fácil? Não, não é. É um saco, na verdade. Mas é uma questão de prioridade e do que você quer para sua vida. Uma coisa é você ter tempo livre depois da aula na escola e achar divertido desenhar de vez em quando, outra coisa é ter que encarar trânsito, trabalho, namorado/a, amigos/as, família, cachorro, gato e AINDA parar pra estudar todos os dias.
Eu não sou nenhum exemplo lindo de dedicação, poderia ser bem mais. Mas dei uma surtada e tento e quero ser tão melhor quanto eu puder. Eu, por exemplo, abdico numa boa da maior parte das coisas para passar um sábado ou um domingo inteiros e noites desenhando na semana, por isso que olho até torto pra quem passa o tempo todo festejando e reclama horrores de tempo pra estudar. Quem faz o tempo é você.
Claro que dá uma puta vontade de criar justificativas por não ter feito tal coisa, mas no fim você não fez porque não quis ou porque não teve força de vontade o suficiente para isso.
Não crie desculpas para que elas não virem muletas depois.


Hm, para fechar o post, Ryan Woods e Sam Nielson pegaram páginas de desenhos pra crianças colorir e fizeram o seu próprio colorido. É algo divertido e bom pra treinar pintura.. Foi algo que tive que fazer bem rápido, mas até que ficou bonitinho.


Pra quem me segue no twitter, de vez em quando vou abrir uns pedidos de desenhos por lá. Assim eu treino e você fica feliz (acho, hoho), então se quiser, follow me.
*Um dia falarei sobre a questão da sensibilidade, a la Hugo Werner, mas isso fica para um próximo post.